No dia 10 de abril de 1924, na gestão do prefeito Vitoriano Antunes, foi inaugurada a primeira Usina de Luz Elétrica de Cascavel, era a vapor, empresa particular de “Galdino & Soares”, de propriedade de Olympio Galdino de Souza e Manoel Ferreira Soares. A Prefeitura fez contrato com a empresa para a iluminação da cidade. O motor funcionava das 17h30min às 22h30min, sendo distribuída a energia iniciando às 17h30min nas residências e igreja e 18h nas ruas e praças principais. Quando se aproximava o horário de ser desligado o motor, eram dados dois sinais de advertência, sendo o primeiro às 22h para que as pessoas que estivessem nas ruas, bares e cafés, procurem as suas residências; o último às 22h15min, para que as donas-de-casa encerrassem as suas atividades do dia-a-dia, fechassem as portas, pegassem as caixas de fósforo e acendessem os candeeiros ou lamparinas para não ficarem na escuridão.

Em 1930 a Usina de Luz Elétrica já tinha nova administração, desta vez pertencia ao Cel. Francisco Galdino de Souza (irmão de Olympio Galdino). Como ele era Coletor Federal, a direção da usina era em nome de Francisco Augusto de Deus (Chico Maninho), homem correto e de sua grande confiança.

No dia 10 de maio de 1932, ás 18h30min o povo católico de Cascavel estava na novena, a Igreja Matriz estava superlotada de fieis entoando os cânticos da Ladainha de Nossa Senhora, em dado momento houve um estrondo e a cidade ficou às escuras. Observou-se um grande movimento nas ruas, mas só depois que terminou a novena foi que se soube que a usina tinha explodido e que, havia duas pessoas gravemente feridas. Pedaços da caldeira voaram longe. Foi uma catástrofe muito grande para a cidade.

Um rapazinho que estava tomando banho na usina na hora da explosão ficou completamente queimado por todo o corpo sendo socorrido e medicado na Farmácia Oziel, mas morreu dentro de poucas horas. O operário Francisco das Neves, que estava botando lenha na caldeira sofreu queimaduras de 2º e 3º graus, o seu estado era desesperador, foi também socorrido e medicado, mas não suportando as queimaduras veio a falecer ao amanhecer do dia. Com este triste desastre a cidade passou muito tempo sem ter energia elétrica.

Sem luz elétrica, as noites eram escuras como breu, todo mundo usava em casa lâmpadas de acetileno (carbureto), candeeiros, “perquels” e lamparinas a querosene. Os que não tinham o poder aquisitivo usavam óleo de mamona (carrapato), em suas lamparinas. Como as noites eram escuras e monótonas, o povo ficava conversando dentro de casa, nos alpendres, e quando saía às ruas usavam lanternas a pilhas. Quando era noite de lua, sob um límpido e claro luar, os rapazes e as moças faziam rodas nas calçadas, conversando, contando histórias de “Trancoso”, anedotas, adivinhações, brincando de berlinda, etc. Sábado e domingo, depois da Bênção do Santíssimo, na Igreja Matriz turmas de jovens ficavam sob a luz da lua na Praça volteando na Avenidinha Getúlio Vargas, flertando (hoje é paquerando), namorando ou ouvindo solos de violões. Mais tarde da noite, um bando de rapazes, com violões, saiam em serenatas onde paravam na frente da casa onde morava a deusa inspiradora de seus sonhos.

Depois o coronel Francisco Galdino, presenteou a cidade com uma possante Usina de Luz Elétrica, desta vez a óleo diesel, sempre sob o comando de Chico Maninho, voltando tudo à normalidade. O povo cascavelense vibrou com a volta da luz elétrica na cidade.

[Cascavel – retalhos de sua história]

 

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