Essa é uma história muito conhecida pelos cascavelenses!

Há muito tempo, inúmeros comerciantes e comboieiros, a cavalo, vindos de outras regiões, passavam por essas terras em viagem a Fortaleza ou Aracati, duas cidades do litoral do Ceará. Por aqui, descansavam e recuperavam as suas forças, sentados à sombra das árvores, para dar continuidade a longa e difícil jornada que enfrentariam. Nesse período de repouso os viajantes eram surpreendidos pela grande quantidade de cobras cascavéis que eram fáceis de ser reconhecidas pelo barulho que emitiam por seu chocalho em sua cauda. Essas cobras ficavam aos montes escondidas sob as folhas caídas de árvores como cajueiros à beira das estradas abertas por aqueles que ali passavam. Contam os mais velhos que, pelo fato de haverem tantas cobras cascavéis assim, os mercadores começaram a chamar essa região de Cascavel.

Outros, que já se vai a memória levada pelo tempo, dizem que havia uma cascavel que dava entrada ao sítio, que um dia daria origem à cidade de mesmo nome. A cascavel é uma porteira feita rusticamente, são dois grandes troncos de madeira enfiados no chão, chamados de mourões, pelos quais se atravessam estacas postas de forma horizontal por furos feitos nos dois mourões. Dizem que o nome Cascavel deve ter provindo justamente do fato dos comboieiros e viajantes se referirem a esse lugar como a passagem da cascavel.

Suposições à parte, Cascavel era o nome dessa região. Nome esse que desagradava a muitas pessoas. A cidade tinha logo o nome de uma cobra tão perigosa como se sabe! Daí então, por causa desse desagrado, surgiu um novo nome, o nome do santo protetor contra a picada de serpentes: São Bento. O certo é que São Bento foi durante algum tempo o nome do município, porém não permaneceu.

Muitos até hoje falam da existência de uma cobra grande que está escondida embaixo dessa cidade, mais especificamente sob o monumento em homenagem a Nossa Senhora do Ó; outros afirmam que sob o piso da Igreja Matriz. Lá a cobra aumenta o seu tamanho cerca de três palmos cada vez que se pronuncia a palavra cascavel, e diminui um palmo ao se pronunciar a palavra São Bento.

Provavelmente, levando em conta todos esses anos que a cidade se chama Cascavel, a serpente deve estar gigantesca. Quando não houver mais espaço, ela irá sair de seu ninho e causará enormes danos a essa população.

Ainda hoje, muitos, ao passarem pelas ruas dessa cidade, lembram com temor dessa história e falam amedrontados para si, inúmeras vezes: “São Bento… São Bento… São Bento… São Bento”…

Aírton Dias. A Serpente Gigante. In: A Serra da Mataquiri, o Rio Malcozinhado e Outras Histórias. Fortaleza: Premius, 2013, p. 40.

Ilustração: Wescley Borges

 

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