A Casa do Barão de Camocim — equipamento histórico localizado no Centro de Fortaleza — será aberta para uso do público em até 180 dias. A previsão foi repassada ao O POVO pelo titular da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), Evaldo Lima, durante entrevista.

O palacete, que foi utilizado como sede da Casa Cor 2016, recebeu intervenções na estrutura – incluindo a recuperação dos pisos e paredes, a substituição de madeiramento comprometido, a instalação de banheiros e outras intervenções que capacitam o espaço para ser usado pela população.

A recuperação do prédio foi realizada pelo Instituto Casa Cor, órgão comandado por Neuma Figueiredo e que realiza o evento no Ceará desde 1999. Segundo a gestora, as intervenções tiveram um grau de dificuldade maior do que o previsto. Por ser uma estrutura extremamente frágil, a Casa do Barão precisou de acompanhamento em cada uma das etapas. Bastante comprometido, o madeiramento sofreu intervenções em diversos pontos. “A parte estrutural para manter o imóvel saudável, não ter risco de madeiramento cair, da pessoa estar no andar de cima e cair no andar de baixo, tudo isso, nós fizemos antes do evento acontecer”, explica a gestora. A edição 2016 da Casa Cor aconteceu até 13 de dezembro daquele ano. Logo depois, começaram os outros tratamentos para recuperar a estrutura.

Evaldo Lima aponta que o intuito é utilizar a Casa do Barão de Camocim como um “palco” para as produções da Vila das Artes, escola municipal de formação artística localizada no entorno do equipamento histórico. “Pelas características de bem tombado, de um bem que exige muita delicadeza no seu uso, há uma preocupação em relação a valorização da edificação protegida com o uso adequado, salubre e sustentável”, aponta o titular da Secultfor. Esse uso, entretanto, tem um prazo de 180 dias para começar. A entrega oficial do equipamento — totalmente recuperado e revitalizado pelo Instituto Casa Cor — foi feita neste mês de dezembro.

Ainda não foi definido um nome para realizar a gestão da Casa do Barão de Camocim. De acordo com Evaldo Lima, a Secretaria pensa em um gestor e tem conversado com muitos atores da cena cultural.

“Nesse momento, eu ainda não posso te revelar (a definição de um futuro gestor) porque ainda está em processo. Estamos discutindo nomes muito importantes, que já deram contribuição e que têm um compromisso com a cultura da cidade de Fortaleza”.

Outro uso da Casa do Barão de Camocim será do conjunto de restaurante e café. De acordo com Evaldo, a Secultfor está desenhando um modelo para realizar a cessão de uso. “Há a possibilidade de que através de um contrato de gestão, com uma organização social, isso possa se fazer uma permissão de uso direto. Se a gente fizer um contrato de gestão, pode dar um desenho que nos interessa”, aponta Evaldo. Os outros prédios da pasta que têm restaurantes são o Passeio Público — com o Café Passeio, no Centro — e o Estoril, na Praia de Iracema.

Além de funcionar como local de visibilidade para as produções da Vila da Artes, a Casa do Barão de Camocim deverá ter múltiplos usos para a Cidade. Segundo Evaldo Lima, é interessante que sejam realizadas apresentações de artistas locais e eventos como lançamentos de livros nas dependência do palacete. Há o interesse, ainda, de expor o acervo municipal de artes plásticas, “que estava disperso nas várias secretarias e órgãos”, pontua o secretário. Existem obras de artistas como Sinhá d’Amora, Zé Pinto e Belchior.

Saiba mais

A Casa do Barão de Camocim — localizada na Rua General Sampaio, no Centro — foi desapropriada em 2005 pela Prefeitura de Fortaleza.

No entanto, mesmo após vários anúncios e passagens de diversos gestores, o equipamento ficou inutilizado durante anos. Até que, em 2016, foi liberada para sediar a 18ª edição da Casa Cor Ceará, mais importante evento de arquitetura e design do Estado. O Instituto Casa Cor se comprometeu a revitalizar a estrutura.

Segundo Neuma Figueiredo, gestora do instituto, o equipamento histórico requer um “cuidado especial” na manutenção, pois, apesar do trabalho minucioso, é uma edificação frágil. “Fiquei muito satisfeita por deixar um legado desses para a Cidade, fruto de uma equipe parceira. É muito importante para nós, para mim pessoalmente. Nós tivemos muitas dificuldades. Tanto que pensamos ter um volume de trabalho e, depois, tivemos um volume bem maior”.

[O POVO Online]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *