Presente em países europeus e nos Estados Unidos, as redes inteligentes de energia, também chamadas de “smart grids”, deverão se tornar, em breve, uma realidade no Ceará. Diferente do modelo convencional, que conecta usinas geradoras às unidades consumidoras de forma unidirecional, a rede inteligente integra todos os usuários, possibilitando que unidades consumidoras forneçam energia ao sistema público de distribuição conforme a demanda, que é monitorada em tempo real.

Em 2014, a Enel Distribuição Ceará iniciou estudos sobre esses sistemas e, no ano passado, instalou um projeto piloto de smart grid em um condomínio residencial no Eusébio que, até o final deste ano, deverá abrigar a primeira microrrede inteligente em escala real a entrar em operação no Brasil. Na primeira fase, o projeto irá incluir dez unidades residenciais, além de áreas comuns do empreendimento.

“Esse projeto é uma antecipação do que será o futuro das distribuidoras de energia e o futuro dos seus clientes”, diz José Nunes, diretor de relações institucionais da Enel. “No campo da inovação, nunca sabemos o que irá vingar e o que não vai. Mas nesse caso, nós temos certeza de que essa inovação vai ocorrer. Na Europa, em geral, isso já está bem avançado”. Com esse sistema, cria-se uma figura chamada de “prosumidor”, em referência àquele que consome, produz e fornece energia à rede pública.

Em linhas gerais, as redes inteligentes permitem a conexão de pequenos sistemas de geração (fotovoltaicos ou eólicos) à rede pública, como nos sistemas de geração distribuída. A diferença é que os sistemas inteligentes são monitorados em tempo real por consumidores e distribuidores por meio de medidores digitais. Desse modo, as informações sobre o consumo contribuem, por exemplo, para redução de desperdícios ou roubo de energia, fazendo com que a distribuidora regule a oferta de energia conforme a demanda.

Funcionamento

“As redes inteligentes de energia são uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, mais segura, que integra e possibilita ações a todos os usuários a ela conectados”, resume o consultor em energia João Mamede Filho, diretor presidente da CPE – Estudos e Projetos Elétricos.

“Os medidores de energia inteligentes são os primeiros elementos de uma rede de distribuição que devem ser implantados num sistema smart grid”. O medidor digital permitem, além da aferição remota do consumo, a programação remota de acionamentos e desligamentos de aparelhos eletrodomésticos, aumentando a eficiência do consumo de energia nas residências.

Quando está ligada à distribuidora, a microrrede armazena, em baterias, a energia gerada nos sistemas fotovoltaicos, por exemplo, para que possa ser consumida em caso de interrupção do fornecimento ou mesmo para, eventualmente, diminuir a demanda sobre o sistema que abastece a cidade.

No caso de uma queda de energia pela rede da concessionária, a microrrede funciona no modo autônomo sendo capaz, por exemplo, de manter o fornecimento de energia para cargas prioritárias (geladeiras, equipamentos de segurança, iluminação etc) durante pelo menos uma hora.

Vantagens

Segundo Mamede, entre as principais vantagens das redes inteligentes está identificação instantânea de queda no fornecimento, o conhecimento mais profundo do comportamento do cliente, melhorando o planejamento e ajustes da oferta, e a possibilidade de estabelecer um controle mais apurado de fraudes comerciais ou de perdas operacionais de energia, que podem ser identificadas mediante mudanças no comportamento do consumo.

“As empresas poderão fazer uma melhor avaliação do consumo dos seus clientes e conhecer melhor a qualidade do serviço prestado, podendo antecipar-se nos investimentos em determinadas áreas”, ele diz.

Conforme os sistemas inteligentes forem se popularizando, proporcionando maior eficiência energética, a expectativa é de que diminua a necessidade de construção de grandes empreendimentos para produção de energia mesmo com o aumento da demanda.

“As redes inteligentes permitem a conexão de pequenos sistemas de geração fotovoltaicos e eólicos em consumidores de baixa tensão, sejam eles residenciais e comerciais, além de possibilitar um perfeito funcionamento desses sistemas em sintonia com todo a rede elétrica”, diz Mamede. “Dessa forma, será possível expandir a geração de energia de forma descentralizada, sem a necessidade de construção de grandes centrais de geração”, acrescenta.

Em âmbito internacional, as microrredes já podem ser encontradas em estágio de pesquisa e desenvolvimento experimental. Segundo a Enel, as primeiras aplicações pré-comerciais estão ocorrendo principalmente no Japão, Estados Unidos, Alemanha, Itália e outros países da Europa.

[Diário do Nordeste]

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