A tradicional Missa do Galo em Cascavel era muito concorrida. Vinha gente de toda a redondeza, sítios e distritos.

O primeiro Cruzeiro da Matriz tinha proteção de grade de ferro, no alto a Cruz com resplendor, duas escadas entrelaçadas com duas lanças e um galo de madeira. Os mais antigos contavam que existia uma profecia que dizia: “no dia de Natal na hora da missa, se o galo do Cruzeiro cantar o mundo vai se acabar”.

No Natal de 1926 a Igreja Matriz estava superlotada de fiéis na Missa do Galo. Na hora da elevação um homem que sofria de epilepsia deu um ataque e caiu por cima de Cosma Rato que era muda. Esta deu um berro fino de pavor. Só bastou isso o povo que estava próximo ao Cruzeiro, pensando que tinha sido o galo que tivesse cantado, começou a correr sem destino e gritando pedindo misericórdia a Deus. Foi uma confusão tremenda.

Quem estava dentro da Igreja queria sair para saber o que estava acontecendo, quem estava fora queria entrar para pedir perdão e encomendar sua alma a Deus. No empurra-empurra os genuflexórios foram derrubados e alguns foram levados até o patamar da Igreja. Foi um Deus nos acuda. Só ficou dentro da Igreja o vigário, Padre Maximiano no altar e o sacristão tocando a campainha e umas senhoras já de idade que não podiam correr e ficaram pedindo misericórdia a Deus.

Nesta época a Matriz possuía as tribunas que eram alugadas às famílias ricas da alta sociedade. Muitas pessoas, na hora da confusão, na pressa de descer, caíram e rolaram pela escada abaixo, ficando muita gente acidentada. No amanhecer do dia, no patamar da Matriz, havia um monte de sapatos, chapéus , bengalas e manuais deixados.

O folclore local criou uma história a respeito que dizia: Uma senhora moradora em um sítio, que estava com o filho menor próximo ao Cruzeiro, na hora da confusão, ficando nervosa, em vez de pegar o filho pegou um anão, escanchou-o no quarto e saiu correndo até o mercado, ele esperneando. Quando parou foi logo perguntando: “Você teve medo filho?” passando a mão em seu rosto. Foi quando notou que ele tinha barba e soltou-o no chão e voltou em pânico correndo para a Matriz a procura do filho.

O anão era o velho Luizinho, magrinho, que quando alguém se encontrava com ele nos dias de feira e perguntava: “Você teve medo filho?”. ele se zangava e xingava a quem lhe falasse desta história.

[Cascavel – retalhos de sua história]

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