De acordo com o historiador Benedicto Augusto dos Santos, não se sabe ao certo o tempo em que foi construída a Igreja Matriz. Mas consta, segundo seus relatos, “da relação dos lugares e povoações da Vila de São José de Ribamar do Aquiraz, em verificação feita em 27 de março de 1757, pela câmara daquela vila, por ordem d’El-Rei, D. José I, de Portugal; que na localidade de Cascavel, já existiam duas capelas com capelão que administrava o culto católico”. O Arquivo Histórico Ultramarino de Pernambuco registra que “o Bispo de Pernambuco, D. Francisco, fez em 1761 a separação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Cascavel, no sertão do Ceará Grande”. Tais citações reforçam referências aos templos de Nossa Senhora do Ó e de Nossa Senhora da Conceição – mais tarde Igreja Matriz, erguida, em alguns anos, por mãos escravas e de moradores da povoação, em busca de indulgências.

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição passou a receber reformas desde 1904, quando o padre Francisco Valdivino Nogueira (1866-1921) entronizou a imagem do Sagrado Coração de Jesus, após ladrilhar a frente do altar. Em 1915, o vigário mandou pintar o forro de madeira do altar-mor, com a imagem da padroeira rodeada por anjos, obra executada por Júlio Azevedo.

Também por iniciativa do padre Valdivino foi construído, por volta de 1915, o cruzeiro da Matriz. Era semelhante ao de Aracati, mas, aos poucos, foi perdendo suas características, até sua total destruição em 1960. Foi reconstruído em 1982, pelo padre Luiz Gonzaga Furtado Neto, para as festas do Sesquicentenário da Paróquia. O sacerdote planejou também a recuperação do altar-mor, mas, por conta de sua transferência, não realizou essa reforma.

Em 1929, o padre José Bruno Teixeira (1905) fez uma reforma assim descrita: abertura de quatro arcadas de cada lado da nave principal; demolição dos dois altares laterais e das tribunas onde a elite cascavelense desfrutava de um espaço privilegiado para o acompanhamento das celebrações; as janelas foram substituídas por “óculos envidraçados” (vitrais) e ainda o forro dos corredores, reboco e caiação. Nesta reforma foram instalados dois púlpitos elevados, nas laterais, feitos pelo carpinteiro José Esteves.

Das intervenções praticadas na Igreja Matriz, a mais contundente foi executada pelo padre José Colaço Martins (vigário de Cascavel no período de 23 de julho de 1972 a 4 de fevereiro 1981). Em 1974, ele levou a cabo uma transformação geral no majestoso templo: demoliu o altar-mor de Nossa Senhora da Conceição e os altares de São José (construído com a colaboração de todos os Josés da cidade) e do Sagrado Coração de Jesus, entre outros desmantelos. Em síntese, a mudança sepultou a memória de duzentos anos do povo católico de Cascavel.

 

 

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