O carnaval só chegou à nossa terra no início da década de 1930, numa manifestação pioneira do paraibano (filho de libaneses) Jorge Redeiro e mais dois amigos. Os três, com violas e bombos, fantasiados de branco e com um laço verde no pescoço, incitavam os indolentes circunstantes a acompanhá-los, formando o Bloco da Caninha Verde. Habilidosos nos instrumentos, com boas vozes, e conhecendo algumas marchinhas carnavalescas, rapidamente foram conseguindo adesões, fazendo nascer na cidade as primeiras manifestações mominas. Tomavam de “assalto” as casas dos amigos, cantando, pulando e dançando, ocasião em que eram servidas bebidas alcoólicas tipo licor e cerveja. Depois vieram os papangus, tradição que aos poucos, foi desaparecendo.

Naquela época, somente os homens participavam dos carnavais de rua e eram amaldiçoados pelo vigário, que dizia ser festa do demônio. Dentre os primeiros “atrevidos” estavam: Francisco Malveira da Silva, Lineu Cadete, Alcebíades Rocha, Raimundo Malveira, José Maria Moura, Alfredo Honorato da Silva, Luiz Pereira, Valfrido Xavier, Jonas Xavier, Manuel Antônio da Silva, mais conhecido por “Manel de Pimba”, e outros. O grupo costumava fazer a encenação de um casamento acompanhado por quarenta pares. Com o correr do tempo, a coisa foi ficando animada e começaram a ser realizados os bailes carnavalescos na Casa da Câmara, que passaram a ser prestigiados por toda a sociedade, contando, daí por diante, com a presença feminina.

Carnaval de rua

A partir de 1959, com a criação do Clube recreativo Cascavelense, os festejos ali passaram a ser realizados. De lá para cá surgiram muitos outros blocos desfilando nos três dias do carnaval de Cascavel, como: Vai Quem Quer (fundado em 1966 por Francisco Aires Falcão, no Bairro dos Milagres), Turma da Pilantragem (1970), Mocidade Independente de Cascavel, Escola de Samba Alto do Rio Novo (1970), Colincas (1973), Balões do Presidente (1976), Invasores do Harém (1978), Adeptos de Faraó (1978), Estação Primeira Unidos da Bagaceira (1986) e Estrela do Oriente (1988). Existiram ainda alguns blocos com menor número de participantes, como o Bloco da Rodinha (1970), O Bafo da Onça (1970) e As Peruas (1991). Alguns já desapareceram, outros continuam em plena atividade.

Bloco Vai Quem Quer – Fundado em 1966, no Bairro dos Milagres, por Francisco Aires Falcão, mais conhecido por “Chico da Ana”. Tinha uma bateria constituída por bombo, cabaça, triângulo, pandeiro, surdo, e também violão. As fantasias eram ao gosto de cada participante, e foi o mais original bloco carnavalesco de nossa história. Entre outros, nele se destacaram: José da Edvirges, Dodó, Valdir do Moisés, José Cleiton Loureiro, Marina Almeida, Paulino José Soares e Gerardo “Pé de cabra”. Foi o primeiro bloco de Cascavel a ter a presença feminina.

Francisco Aires Falcão, fundador do bloco, faleceu em Fortaleza (07/06/1993), vítima de atropelamento. Seus discípulos mantêm a tradição do Vai Quem Quer e sua trajetória ininterrupta de desfiles no carnaval de rua de Cascavel.

Bloco Vai Quem Quer – 1968

Escola de Samba Unidos do Rio Novo – Fundada em 1982 por Edson Alves de Lima. Foi campeã do carnaval de rua, em 1988.

Estação Primeira Unidos da Bagaceira – Do Bairro dos Milagres, fundada por Francisco Felipe de Sousa em 21 de janeiro de 1986. Foi tetracampeã dos carnavais de rua (de 1989 a 1992) de Cascavel. A escola desfilou em 1993 com a seguinte composição: comissão de frente, com mestre-sala e porta-bandeira, exibindo as riquezas naturais do Brasil-colônia; no primeiro carro abre-alas, as iabás que, segundo os negros, seriam as sereias; ala chamego, formada por índios, representando os nativos da terra; o segundo carro alegórico destacava os dragões e a coroa real, figurando o Reinado do Brasil; a segunda ala era formada pelas sinhazinhas, realçando as filhas dos grandes senhores de engenhos; a terceira ala mostrava a chegada dos portugueses ao Brasil; o terceiro carro alegórico exibia, com uma caravela, o período das grandes navegações; em seguida vinham o mestre-sala e a porta-bandeira mirins; logo atrás, a bateria, puxada por sua madrinha, focalizava a miscigenação da raça, com representantes de negros, índios e europeus; depois aparecia a ala das baianas, homenageando as grandes navegações; seguia-se a ala-sonhos, representando os negros trazidos em navios negreiros; fechava o desfile o carro alegórico Mãe-África, com destaques africanos. Seu samba-enredo Brasil, descoberta das raças, foi da autoria de Marcos Evangelista. Desfilou pela última vez em 1998.

Escola de Samba Estrela do Oriente – Fundada em 7 de maio de 1988, inicialmente para atuar com quadrilhas nas festas juninas, teve como fundadores: José Aécio de Sousa (presidente), José Edilson da Silva (vice-presidente), Maria do Carmo da Silva e José Océlio da Silva. Posteriormente foi transformada em escola de samba e passou a ser um dos participantes de carnavais de rua da cidade. Não desfila desde 1994 por falta de recursos financeiros.

Em 1º de setembro de 1991, Raimundo Edson Lopes de Lima, eleito por aclamação, assumiu a presidência e comprometeu-se a liquidar um débito de trinta mil cruzeiros (Cr$ 30.000), do carnaval de 1991, no qual a agremiação sagrou-se vice-campeã.

Com ajuda dos poderes públicos e do comércio, fez brilhante apresentação no Carnaval de 1992, mas, ainda desta vez, ficou apenas com o vice-campeonato. Em 1993, entretanto, depois de muita luta para obter fundos para as despesas de confecção de fantasias e adereços, conseguiu a escola, finalmente, o título de campeã do carnaval de rua de Cascavel.

No final de 1992, foi realizada uma assembleia geral que criou um estatuto, sendo depois registrado e mandado publicar no Diário Oficial, dando personalidade jurídica à entidade.

Galera do Mal – Fundado em 8 de fevereiro de 1991 por José Gomes de Oliveira, o “Gibel” (presidente), foi um grupo recreativo e filantrópico, cuja filosofia era “um jeito estranho de fazer o bem”. Contava com as seguintes pessoas: Maria Ocilene Pacheco Costa, Eugênia Rebouças da Silva de Sousa, Ednildo Holanda, Terezinha Mendonça Pereira, Edna Gadelha da Silva, Francisco Rodrigues de Sousa Filho e outros. Está no rol dos extintos.

Colincas – Fundado em 1º de janeiro de 1973, por José Luciano Vale Moura, Oleilson Targino de Almeida, Francisco Ribeiro de Oliveira, Marcos de Queiroz Ferreira, Antônio Batista Filho, Maria Renilde Irineu de Araújo, José Maria Soares, Antônio Francisco Soares e Evânio Reis Bessa, era uma entidade social e carnavalesca formada por colegas de infância de Cascavel, tendo como lema “melhores somos quanto menos somos”. Este grupo deu origem a outro denominado Balões do Presidente, hoje extinto.

As Peruas – Fundado em 1991 por Raimundo Edson Lopes de Lima, José Maria Silva e José Océlio da Silva, é um bloco onde só entra mulher e a ela faz ironia e irreverência. Anualmente é feita a escolha de duas “peruas”: a mais extravagante e a mais brega. É sempre crescente o número de foliões nesta agremiação, comandada pela Associação Comunitária Estrela do Oriente.

Entra em cena o Bloco do Galo

Bloco do Galo – O bloco nasceu a partir da empolgação da campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores (13) no ano de 2008. O número 13 no jogo do bicho corresponde ao galo que deu margem aos afeiçoados do partido a confeccionarem um belo galo para ser exibido nas passeatas eleitorais. Aproveitando o ensejo, surgiu a ideia de colocar o Bloco do Galo no carnaval de Cascavel em 2009.

O bloco foi fundado em 28 de janeiro de 2009, tendo como fundadores: Raimundo das Neves, conhecido como Saci, sua esposa Nadir Batista Monteiro e seus filhos Erick Germano Monteiro e Raiza Germano Monteiro. O Bloco do Galo desfilou pela última vez em 2015.

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