Antigamente, o caminho da praia da Caponga para Cascavel ou vice-versa, era a trilha dos capongueiros, dos peixeiros, dos comboieiros, dos carros-de-bois, dos sitiantes trazendo as suas produções – a rapadura, o mel-de-engenho, a farinha, a goma, as frutas, etc. – em busca de melhores oportunidades no comércio local, nas feiras ou em Fortaleza.

Os que vinham da praia da Caponga para Cascavel subiam os morros de areias avermelhadas, e ao descerem tinham de atravessar a estiva (lagamar), e às vezes a nado ou então tinham de esperar a maré baixar, mais adiante atravessar o rio Malcozinhado, pegando a faixa de tabuleiro de areia frouxa, pelo corredor dos sítios rumo à cidade.

Os que vinham a pé, ao passar pela levada do Coaçu, aproveitavam para lavar os pés, andava-se mais uns cinquenta metros, chegava-se ao Gongá, um lugar bucólico, onde descansavam um pouco.

No meio do caminho havia um frondoso cajueiro, que diziam ser mal-assombrado depois das 18 horas. Os que andavam por esse caminho sempre se apressavam para passar ali antes dessa hora da noite, temendo ver alguma visagem. Como o percurso era feito em animal ou a pé, quem vinha a cavalo tinha de se apear ali, para fazer suas necessidades fisiológicas e ficarem aliviados. Os que vinham a pé também, e aproveitavam para se calçar e entrar na cidade.

Por isso o tal cajueiro ficou famoso e conhecido por “Cajueiro da Mijada”.

[Cascavel – retalhos de sua história]

 

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