O clima tenso que reflete a crise política nacional tem dado o tom de muitos pronunciamentos dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Ceará. No entanto, outros temas relevantes para a população cearense têm ficado em segundo plano na Casa e pouca discussão vem sendo feita pelos parlamentares no que diz respeito à Segurança, Saúde e Seca, assuntos considerados centrais do Governo Camilo Santana (PT) por alguns deputados, principalmente por conta da crise que a gestão estadual enfrenta nas três áreas.

Apesar de serem abordados em algumas ocasiões, especialmente por deputados de oposição, o debate sobre tais temáticas acaba se perdendo no Legislativo, pois não há uma continuidade das discussões ou ações mais concretas da gestão no intuito de amenizar a situação.

Em setembro, o secretário de Segurança Pública, André Costa, esteve na sede do Poder Legislativo estadual para apontar feitos da Pasta na área e ouvir reclamações e sugestões por parte dos deputados. Depois daquele encontro, pouco se avançou nas discussões sobre o tema e a participação da Casa se limitou apenas ao debate proposto durante a visita do gestor, realizada no dia 20 daquele mês.

No que diz respeito à Saúde, ainda que a situação na área não seja das melhores, principalmente no que diz respeito ao financiamento, o assunto tem sido cada vez menos abordado pelos deputados da Assembleia. O governista Moisés Braz (PT) afirma que esses temas têm ficado em segundo plano nas discussões do Plenário 13 de Maio devido ao ano eleitoral que se avizinha, bem como à crise da política nacional, com ministros, deputados e senadores sendo acusados em escândalos de corrupção.

“Mas não podemos perder de vista os temas que são centrais, que são a Educação, a Segurança, a Saúde e a Seca. Estamos com 5% de todo volume de água e a maior parte dos municípios sendo abastecida por carros-pipa. A Casa tem que retomar esse debate, fazer uma reflexão sobre isso e definir uma política para convivência com o semiárido”, reclamou o petista.

Idas ao Interior

O deputado Carlos Felipe (PCdoB), que também faz parte da base governista, afirma que tem procurado fazer um debate amplo sobre a questão da Saúde na comissão técnica que preside na Casa. No entanto, ele ressalta que, faltando um ano para a eleição de 2018, o debate político aumenta, principalmente quanto à indefinição eleitoral. “Neste momento, muitos começam a fazer trabalho no Interior e a situação começa a ficar tensa. Essa situação, porém, não traz nenhum resultado positivo para a Assembleia”, criticou.

Silvana Oliveira (PMDB), por sua vez, destaca que seu ritmo de trabalho não diminui, até porque pauta seu mandato pela presença e debate em comissões e no plenário. Segundo ela, a ausência de discussão durante as sessões ordinárias não é novidade, mas algo que acontece desde o início da atual Legislatura. “Para se ter uma ideia, o secretário de Segurança veio aqui e os deputados, críticos da Segurança, não ficaram até o fim. O comportamento dos parlamentares foi decepcionante”, criticou.

Carlos Matos (PSDB) opina que esses assuntos, de tanto reclamados, acabam cansando. Ele ressalta, porém, que são temas importantes a serem discutidos. O tucano preside colegiados que tratam da questão da Seca no Estado e observa que a situação na maioria dos municípios cearenses está “gravíssima”. “Tem resposta do Governo, mas ainda é tímida. Estamos discutindo a crise hídrica para termos uma visão em longo prazo, mas até agora não se pensou em nada neste sentido”, lamentou.

Já para Danniel Oliveira (PMDB), Saúde, Segurança e Seca são os três grandes problemas do Estado atualmente, embora a questão da violência se sobressaia, pois atinge todas as classes sociais. “Temos que esquecer um pouco a questão política e debater, por exemplo, a questão da Seca, dividindo o assunto por regiões. Com todo esforço do secretário de Segurança, os números só têm piorado. É preciso que o Governo tome pulso forte, para não perder o controle”.

Oposição

Manoel Santana (PT) considera que há debate constante sobre os três temas, mas observa que a quantidade de pessoas discutindo determinados assuntos na Casa diminuiu. “Tinha uma ação mais articulada da oposição, de tal forma que cinco ou seis deputados abordavam determinados assuntos com mais frequência”, disse. De acordo com ele, os opositores podem ter achado que o embate ficou repetitivo e resolveram mudar o foco.

Já Elmano de Freitas (PT) salienta que diante da conjuntura nacional, com escândalos graves que chocam todo o País, os debates locais têm ficado em segundo plano. De acordo com ele, o padrão ético adotado pelo governador Camilo Santana também se diferencia daquele praticado pelo Governo Central, o que pode ter inviabilizado maiores ataques por parte da bancada oposicionista. “O Governo Camilo tem problemas sérios na Segurança, mas a oposição faria o mesmo que ele está fazendo. A diferença é que o Governo Federal retira direitos e o Governo Camilo dá direitos”.

[Diário do Nordeste]

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